quinta-feira, dezembro 14, 2006

Change...

Nunca vos aconteceu terem uma necessidade premente de mudar? Um dia acordamos e já não dá mais, tornou-se insuportável. A rotina está a sufocar-nos e as suas silenciosas engrenagens asfixiam-nos paulatinamente. Sentimo-nos insatisfeitos, revoltados, rabugentos e fartos, saturados. E é aí que entra a lufada de ar fresco... a necessidade de aprender coisas novas, explorar novos locais, conhecer pessoas novas, experimentar actividades novas... Eu sei lá!!! Tudo novo. Até coisas básicas, como um simples corte de cabelo. A mudança é como um bichinho que vai roendo, roendo, roendo ... até que a estrutura desmorona e não há mesmo nada a fazer. O inevitável aconteceu e a mudança deu-se. Ora, temos dois caminhos: pilotamos a nossa própria mudança e somos senhores do processo ou deixamos arrastar o assunto e somos surpreendidos com o facto consumado. A resistência à mudança é tramada, mas o seu rumo é inexorável.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Pandora

Creio que todos nós já ouvimos falar na famigerada caixa de Pandora. Reza a lenda que ao abrir este recipiente por não conseguir controlar a sua curiosidade, Pandora libertou todos os males do mundo. É de facto um castigo muito severo e com repercussões para todos nós.

No entanto, nem tudo o que é associado a Pandora é necessariamente mau. Experimentem www.pandora.com e vão ver que concordam comigo. Desta forma já posso ouvir música enquanto trabalho e conhecer novas sonoridades.

Bom fim-de-semana!

sexta-feira, outubro 13, 2006

As fitinhas de cetim...



Quando eu era criança serviam com uma especie de bandolete para prender o cabelo. Passavam-se à volta da cabeça, dava-se um nó, um laçarote e já está. Sai uma princesinha. Ultimamente penso que as princesas cairam as desgraça, as miudas já não lhes acham piada e as fitinhas no cabelo dão um ar tão demodé, que praticamente já não há mães que submetam as suas filhas a este embaraço.

No entanto, as fitinhas estão de volta. No outro dia reparei numa colega que a trazia à cintura, como se tratasse de um cinto. Toda a gente a elogiou e, milagre, no dia seguinte já outras colegas traziam fitinhas de cetim à cintura. Entrámos numa vertigem de massa, passados poucos dias já era altamente out of style usar qualquer outro tipo de cinto, que não a fitinha em cor a condizer com os sapatos ou com a blusa. Atenção, que é pecado capital não usar sapatos, mala e cinto da mesma cor. Vejam lá o que fazem....

E, pronto, assim subrepticiamente se deu a invasão das fitinhas de cetim, que voltaram a infiltrar-se nas nossas vidas. É um facto que passaram da cabeça para a cintura, mas as fitinhas are back in town.

Tenho de ver se hoje saio cedo... Quero apanhar a retrosaria da esquina aberta...

Semanários...







Confesso: no dia 16 de Setembro tentei por duas vezes comprar o Sol. A minha primeira tentativa saiu gorada. A senhora do quiosque tinha o jornal, mas só vendia a quem tinha reservado com antecedência. Expressos tinha muitos e vendia a toda a gente. Senti-me insultada com a discriminação e não lhe comprei nada. Segui adiante, não sei antes ter resmungado bastante... Pensei que nas bombas de gasolina não haveria falha e lá fui eu. À porta imensos Expressos, mas Sóis, nem vê-los. Perguntei à menina da caixa e a resposta informou-me de que os distribuidores não tinham trazido o jornal. Percebi que ia ser uma busca inglória. Comprei o Expresso e fui-me embora.

Fiquei possessa com esta situação, tanto mais que toda a gente insistia em falar do Sol e eu não tinha como. Uma sensação de mal-estar começou a instalar-se. Afinal de contas não queria ler um jornal, que claramente não me queria como leitora, pois se nem o conseguia comprar... Decidi ignorar o Sol e continuar com a minha vidinha. Além do mais, o Expresso simpaticamente (leia-se premeditadamente num puro golpe de estratégia comercial) até oferecia um DVD. Deixei-me estar.

No Sábado passado, surgiram os dois jornais lá em casa. O fim-de-semana foi muito animado e nem tive tempo de dar uma vista de olhos. Finalmente, lá para 4ª feira à noite decido-me a folhear os jornais e a construir uma opinião própria. Trago os dois sacos para o sofá, baixo o volume da TV e começo a ler a revista. Alguns artigos interessantes, outros nem tanto, e assim fui andando até chegar ao fim. Comecei à procura da Pluma Caprichosa, que usualmente gosto de ler, mas nem vê-la. Pensando bem também não estava a prosa do Comendador. Começo a pensar que enlouqueceram e acabaram com estas duas crónicas. Será possível? Entro em desespero. Tudo isto não dura mais do que uns segundos. Pânico! Finalmente, olho para o cabeçalho e descubro que não se trata da Única, mas sim da Tabu.... Quem diria!? Afinal em tudo o resto me pareceu igual....

Talvez um leitor mais atento consiga vislumbrar diferenças significativas entre os dois semanários, mas eu certamente não me encontro nessa categoria. Um brinde à diversidade!!!

quarta-feira, outubro 04, 2006

Pensamento

“Não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas sim a mais receptiva à mudança”
Charles Darwin (1809-1882)

Foi Feitiço

Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite
me guia de dia e seduz
Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
ter o céu como fundo
ir ao fim do mundo e voltar
Eu não sei o que me aconteceu
Foi feitiço! O que é que me deu?
para gostar tanto assim de alguém como tu
Eu gostava que olhasses para mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo um olhar em segredo
Só para eu te abraçar
O primeiro impulso, é sempre mais justo
É mais verdadeiro.
E o primeiro susto, dá voltas e voltas
Na volta redonda de um beijo profundo

Feriados sem história

Quando era miuda, ligava a estas coisas. Os feriados faziam sentido, havia algo para comemorar e eu dava importância a essas coisas. Não era só o Natal (25 Dezembro), o Ano Novo (1 de Janeiro), a Páscoa, o 25 de Abril, o Dia do Trabalhador (1 de Maio) ou o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro). Os outros feriados também contavam: o dia de Portugal, Camões e das Comunidades (10 de Junho), a Implantação da República (5 de Outubro), a Restauração da Independência (1 de Dezembro). Devo confessar que os outros feriados religiosos nunca me disseram grande coisa: 15 de Agosto (Assunção de Nossa Senhora), 8 de Dezembro (Imaculada Conceição).

Mas, actualmente, a situação é muito pior. Estou convencida de que as pessoas se estão a borrifar para a razão dos feriados e muitas vezes até a desconhecem por completo. O importante é ver se dá para fazer ponte e não trabalhar mais uns diazinhos. O resto, o resto que se lixe!

Felicidades...

Agora que faço parte do clube dos casados, é impressionante a quantidade de pessoas que me demonstra solidariedade:
"as primeiras semanas é fácil, o pior são os próximos 40 anos"
"o primeiro ano é o pior, é a fase da adaptação"
"as crises são ciclicas de 7 em 7 anos, portanto, por agora não tens nada com que te preocupar"
"agora é muito mais difícil, mas muito melhor. É um desafio"
E, claro, depois há aqueles para quem o tema se esgota num lacónico "Felicidades!"

sábado, setembro 30, 2006

Não doeu nada

E pronto... já está. Oficialmente faz hoje duas semanas que passei a pertencer ao clube dos casados. Na realidade, não doeu nada, mesmo nada. Ao contrário do que eu sempre pensei, o dia em si acabou por passar rápido e nem foi muito doloroso. O pior mesmo foram as fotografias.... Mas onde é que está escrito que quando casamos, temos de fazer pose e sorrir durante horas a fio??? Adiante...

A lua de mel também já era, mas soube muito bem. Durante uma semana desligámos do mundo real e entrámos num mundo só nosso, em que somos donos e senhores das nossas vontades. Só dura uma semana, mas também acho que é a medida certa. Um período mais longo iria ser contraproducente, na medida em que seria muito mais complicado voltar ao mundo real e, provavelmente, até se tornaria aborrecido. Há ainda o factor susceptibilidade, pois quando as pessoas estão muito tempo juntas, ficam progressivamente cada vez mais propensas a pequenos melindres e amuos (as designadas tempestades nos copos de água).

Mas tudo isso já lá vai. Falta apenas a prova de fogo: recomeçar a trabalhar... De qualquer das formas, 2ª feira está aí à porta e aí é que pode começar a doer!!!

segunda-feira, setembro 11, 2006

Foi hoje

Há precisamente seis anos atrás estava em Nova Iorque. Foi a única vez que lá fui. Durante toda a adolescência acalentei esse sonho de viajar até à Big Apple. Cresci vendo filmes americanos. O el dorado e o sonho americano são ideias facilmente exportáveis e que causavam grande impacto nos anos 80. Hoje em dia, penso que os filtros são maiores e há uma maior consciência social e crítica em relação aos EUA. Nos anos 80 eram os maiores. Eu cresci nessa ilusão e sempre quis lá ir. Claro que a primeira ideia que nos passa pela cabeça é visitar NY. Afinal, não sendo a capital oficial, é na realidade a capital do mundo, o supra sumo da grande metrópole e um ícone global.

E assim foi, depois de muitas peripécias, lá aterramos em Nova Iorque. Ficámos uma semana. E, na manhã do dia 11 de Setembro de 2000, subimos ao topo de uma das torres gémeas. A paisagem era incrível...

Precisamente um ano depois, o mundo mudou. E duvido que alguma vez volte a ser o mesmo...

terça-feira, agosto 29, 2006

Ressaca

Ontem acabaram as férias. Foi o primeiro dia de trabalho. Custou tanto... Um dia inteiro enfiada num gabinete. Eu e um computador. Ainda por cima sem ar condicionado. Estava insuportável. Digno de uma sauna. Para ajudar à festa, todos os bares, cafés e cantinas estão de férias. Resultado: não há onde comer qualquer coisa. Só tinha 375 mails para ver. Já não estava habituada. As férias fazem mal. Ou melhor, fazem bem. O trabalho é que faz mal!

sexta-feira, agosto 18, 2006

Who knew?

You took my hand You showed me how
You promised me you'd be around
Uh huh That's right I took your words
And I believed In everything
You said to me Yeah huh That's right
If someone said three years from now
You'd be long gone I'd stand up and punch them up
Cause they're all wrong
I know better Cause you said forever And ever
Who knew

Remember when we were such fools
And so convinced and just too cool Oh no No no
I wish I could touch you again
I wish I could still call you friend
I'd give anything
When someone said count your blessings now
For they're long gone
I guess I just didn't know how I was all wrong
They knew better
Still you said forever And ever
Who knew

Yeah yeah I'll keep you locked in my head
Until we meet again Until we Until we meet again
And I won't forget you my friend
What happened

If someone said three years from now
You'd be long gone I'd stand up and punch them out
Cause they're all wrong and
That last kiss I'll cherish Until we meet again
And time makes It harder I wish I could remember
But I keep Your memory You visit me in my sleep

My darling Who knew My darling My darling
Who knew My darling I miss you My darling
Who knew Who knew

Já chegamos à América

Já repararam como ultimamente parece que estamos n'América:
  • hoje tivemos um assalto a um banco com reféns;
  • recentemente apanharam um serial killer;
  • as plásticas estão na moda;
  • a produção portuguesa já inclui séries policiais (devem estar a preparar o CSI);
  • Lisboa já tem um casino (Viva Las Vegas!)
  • o pessoal anda todo a ver a Oprah e o Dr. Phil
  • ...

Fica para a próxima

Cascata da Cabreia

Tips


http://caramulinho.blogspot.com/
Subida acidentada, mas vale a pena!!

http://www.badoca.com/
A não perder o show das aves de rapina....

http://www.museu-caramulo.net/automoveis.shtml
Os meus favoritos são os Mercedes....

Férias



Pois é... finalmente estou de férias!! Já há mais de duas semanas... Mas o aborrecido é que não me consigo desligar daquela sensação irritante de que as férias também devem ser produtivas. Estar um dia inteiro de papo para o ar, ver imensa televisão, comer porcarias, dormir a sesta, acordar tarde... tudo isso redunda numa enorme sensação de desperdício, numa alma vazia de conhecimento e novas experiências...

Para mim férias, passa por ir para um local diferente. Ver coisas novas, aprender, observar, pesquisar o destino... Quando as férias não dão para isso e se saldam numas quantas visitas à praia e no regresso a casa... não são férias. São uns dias em que não se vai trabalhar! Ainda para mais, devemos ser muitos aqueles que ficámos por cá, afinal as estradas estão cheias e tudo parece funcionar normalmente.

Há ainda a considerar uma agravante, não é que nem o tempo tem ajudado. Em pleno Agosto, chove abundantemente e não se consegue sair de casa sem um agasalho... Na praia não se consegue estar com um vento desagradável. Enfim...

Está visto que a tradição já não é o que era, mas infelizmente as férias também não!!!

sexta-feira, julho 07, 2006

Uma frase...

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."
Martin Luther King

segunda-feira, julho 03, 2006

I'm back

Isto é que foi... mais de duas semanas de folga! Mas, agora estou de volta...

quarta-feira, junho 14, 2006

Aprendi palavras novas...

Bambúrrio
s. m. acaso feliz; sorte ao jogo.
(Do b. lat. baburru-, «inepto; tolo»?)

Plumitivo
s. m. escritor público; jornalista; escritor incipiente;
adj. jornalístico.
(Do fr. plumitif, «id.»)

segunda-feira, junho 12, 2006

Ponte

Amanhã é feriado em Lisboa: 13 de Junho - Dia de Santo António. No dia 15 é feriado nacional. Esta semana de trabalho para os alfacinhos é uma especie de indecisão: trabalha na 2ª, não trabalha na 3ª, trabalha na 4ª, não trabalha na 5ª, trabalha na 6ª. Daí que muitos (atrevo-me a dizer a esmagadora maioria), achou que com apenas 3 dias de férias podia ficar 9 dias sem trabalhar, o que parece um óptimo negócio. E, pronto, tiraram férias!!! Acontece que os outros (entre os quais me incluo) que não tiraram férias, também não têm grande vontade de trabalhar. Bem basta sermos poucos, quanto mais ainda termos de produzir... Para além disso, está tudo fechado, não há ninguém em lado nenhum... Ah, pois é, o pessoal está todo de férias. Agora só na próxima 2ª feira. Curiosamente, juntam-se então dois efeitos nefastos:
1- também queríamos ter ido de férias e ficámos a trabalhar
2- não há ninguém para resolver os assuntos porque os outros estão de férias
Conclusão: quem não fez ponte, finge que trabalha! E mesmo que quisesse trabalhar a sério, também não tinha condições.... O país está a saque!

A ex...

Penso que já todos passámos por isso. Quem é que já não se interrogou sobre a ex-namorada do nosso namorado? Ou na versão masculina, o ex-namorado da nossa namorada? Acho até que é uma curiosidade natural. Ontem, a própria Carrie Bradshaw (colunista do Sexo e a Cidade) partilhava esta inquietação. Será alta, baixa, gira, gorda ou magra, inteligente ou burra, loura ou morena? Ou, melhor, o que interessa mesmo é se é mais alta do que nós, mais gira do que nós, mais magra do que nós, mais inteligente do que nós?

Outra questão fundamental é: porque é que acabaram e intrinsecamente ligada quem é que acabou com quem? Aqui as opiniões divergem: é melhor ter sido ele a acabar ou ela? Se foi o nosso namorado a acabar, ficamos descansadas é porque já não gostava dela e estava pronto a seguir em frente. Por outro lado, se foi ela a acabar, quem perdeu o interesse foi ela e, portanto, não há necessidade de nos preocuparmos com isso. Claro que temos o reverso da medalha. Se foi ele que acabou, ela pode não concordar e decidir dar luta, o que nos pode complicar a vida. Isto, claro, se acharmos que vale a pena o trabalho. Por outro lado, se foi a outra a acabar, nada nos garante que ele esteja curado e já tenha enterrado qualquer ideia de reconcialiação.... De forma que não há volta a dar: preso por ter cão e preso por não ter. O melhor é mesmo que não houvesse ex(s). Mas há. E é preciso lidar com isso.

Vem esta conversa toda a propósito de hoje ter visto a ex do meu namorado. Já desconfiava que era ela, mas hoje tive a confirmação. E, de facto, mesmo que a partir de agora tudo corra mal (longe vá o agouro) não consigo deixar de me sentir satisfeita. Afinal, toda a elaboração em cima da ex pariu um rato...

O símbolo...


Simbologia da Bandeira Portuguesa
Bandeira instituída em Novembro de 1910, pouco depois da implantação da República em Portugal (5 de Outubro de 1910)

Verde: O verde no ideário positivista e republicano (séculos XIX e XX), simboliza as nações que são guiadas pela ciência. Na versão popular simboliza a esperança no futuro.
Vermelho rubro: O vermelho é a cor das revoluções democráticas desde o século XVIII percorreram a Europa, como a revoluções de 1848, a Comuna de Paris (1871) ou a revolução republicana em Portugal de 31 de Janeiro de 1891. Simboliza a luta dos povos pelos grandes ideais de Igualdade, Faternidade e Liberdade. Na versão popular simboliza os sacrifícios do povo português ao longo da sua história.
Esfera armilar: Emblema do rei D. Manuel I (1469 -1521) e que desde então esteve sempre presente nas bandeiras de Portugal. Simboliza o Universo e a vocação universal dos portugueses. Na versão popular simboliza os descobrimentos portugueses.
Escudo. O Escudo de Armas remete para a fundação de Portugal. Simboliza a afirmação da cultura ocidental no mundo, e em particular dos seus valores cristãos. Os castelos, quinas e os besantes evocam conquistas, vitórias e lendas ligadas à fundação de Portugal por D.Afonso Henriques (1109-1185).

In "lusotopia.no.sapo.pt/ indexPTBandeira.html"


Durante o Euro 2004 e mais recentemente com o aproximar do Mundial de futebol, cada vez são mais as bandeiras desfraldadas por todo o lado. Parece que, de repente, e devido ao futebol as pessoas se lembraram do seu país... Quem diria que o orgulho nacional é refém das iniciativas futebolísticas?!

Coragem


Adoro cerejas. Este fervor é ainda mais exacerbado pelo facto de, ao contrário de tantas outras frutas, só haver cerejas durante uma pequena janela de tempo. Por isso, tempo aproveitar ao máximo enquanto há e raro é o dia em que não aproveito para comer umas cerejinhas. Tal é a loucura que por vezes aproveito a hora do almoço para ir comprar 1kg de cerejas a uma pequena loja perto do trabalho. É uma daquelas lojas em que o tempo parou. Acho que se chama pomposamente "comércio tradicional". Os donos são um casal já de idade, que gere a mercearia/frutaria como se fosse a própria casa. Não sou uma cliente assídua, mas na época das cerejas, é difícil resistir à tentação. Até porque as cerejas que vendem são de categoria. No caixote diz "Resende" e na verdade são grandes, escuras, doces, rijinhas e muito suculentas. Vale bem o esforço de caminhar alguns minutos.

Hoje foi um desses dias em que não resisti ao apelo e lá fui rua abaixo em busca das cerejas. Hoje não estava a patroa, só o dono da loja e foi ele que me aviou. A minha conta era fácil de fazer 2.50€ + 1.80€. Enquanto o senhor digitava os valores na registadora, disse maquinalmente, "então são 4.30€, não é?". Pois que esta simples frase deu panos para manga. Fui elogiada por saber a tabuada e fazer contas de cabeça: coisa rara hoje em dia.

É então que em ar de grande revelação o senhor desabafa: "sabe, é que eu nunca fui à escola. Mas a tabuada sei como ninguém. A tabuada e as contas. Precisava mesmo de aprender para me estabelecer. Nunca meti os pés na escola, nem precisava de muitas das coisas, mas as contas eram muito importantes para me estabelecer. Que eu vim para Lisboa moço de fretes, mas passado pouco tempo estabeleci-me nas bananas e agora há mais de 40 anos que estou estabelecido".

Estas palavras bateram-me fundo. Estava em presença de um empreendedor, que sem ter andado na escola, tinha procurado e conseguido aprender o essencial para lançar o seu negócio. Acho que é de louvar esta iniciativa. Fico zangada comigo mesma. Afinal andei na escola quase 20 anos e ainda não reuni a coragem que este senhor teve, mesmo sem dominar muitas das coisas que eu sei. É certo que os tempos são outros e que a sua loja cristalizou. Mas ele seguiu em frente e conquistou o seu negócio. E eu? De que estou à espera? Não sei. Sinceramente, não sei. Enquanto penso neste assunto, vou comendo umas cerejas....

quarta-feira, junho 07, 2006


14 de Junho - Coliseu de Lisboa
Comentários em breve

Quero ir ver este filme. Estreou esta semana em Portugal e numa crítica que li era classificado como um "western violento". Não tenho opinião formada, pois se ainda nem vi o filme. No entanto, o grande atractivo para mim é, para além de ser um western, o facto de se passar na Austrália, o que desde logo deixa grandes expectativas quanto às paisagens e fotografia.
Resultado das minhas investigações, descobri que tanto o argumento, como a música são do Nick Cave... O melhor será mesmo pagar para ver!!!

sexta-feira, junho 02, 2006

A altura certa

Todos temos de tomar decisões na vida. Se nalguns casos nem damos por elas, noutros podem ser um verdadeiro quebra-cabeças.

Como é que se sabe se chegou a altura certa de pedir alguém em casamento? Não estamos a falar de um mero namoro. Namorados à partida poderemos ter muitos. Não é um compromisso definitivo. Se não correr bem, tentamos de novo. Claro que não são descartáveis como muitos bens de consumo. Não podemos ser inconsequentes. Mas esta não é uma decisão que condicione fatalmente a vida de uma pessoa. Já casar... Quer dizer, há saída. Aliás, parece que na nossa ânsia de entrar no Guiness Book of Records, até a taxa de divórcios vale e, por isso, resolvemos fazê-lo em grande escala. Não é porém essa a minha perspectiva. Tenho dificuldade em compreender quem encara este assunto de outra forma. Afinal, se a ideia não fosse um compromisso duradouro, qual o sentido de casar? Para isso, bastava continuar a namorar ou morar junto. Há quem defenda que é uma mera formalidade. É ou não verdade, consoante queiramos. Creio que é um pouco mais do que isso, mas também não sou fundamentalista, nem acredito em tudo o que é dito na cerimónia religiosa. Há que temperar um pouco este assunto, mas isso não minora a minha questão? Como é que se sabe que é este o momento certo?

Mas, muito mais importante e definitivo que isso... Como é que se sabe que é a altura certa para ter um filho? Não, desenganem-se. Não é o relógio biológio a dar horas. Não tenho a mínima pressa. Mas ultimamente tenho pensado sobre este assunto. As histórias dos meus amigos sucedem-se: desde os que convidam para os baptizados, áqueles que decidem engravidar e o fazem na altura pretendida (com precisão cirúrgica), passando pelos não planeados, parece que de uma forma ou de outra todos vão respondendo a esta questão. Mas como? É que um filho é para toda a vida, não há laço mais profundo. Ao contrário de todos os outros, aconteça o que acontecer um filho vai ser sempre um filho, seja ele prémio Nobel ou um perigoso delinquente. É algo que permanece independentemente de ... basicamente tudo! Por isso, como é que é? Decide-se em consciência? Espera-se para ter a casa adequada? O trabalho certo? O ano em que a conjugação astral é mais favorável? Avança-se e seja o que vier? Acontece pura e simplesmente? Escrevem-se os prós e os contras, ponderam-se as opções, faz-se um modelo matemático e sai uma data? Quem sabe o segredo? Qual é o truque?

Evidentemente que há muito mais decisões complexas. Mas até aqui, melhor ou pior tenho-me safado. Na verdade, também já encontrei a resposta para a primeira questão. Mas continuo intrigada com a segunda... O melhor será esperar para ver! Alguém ajuda...?

quarta-feira, maio 31, 2006

A lei da


É engraçado como os fantasmas ressuscitam. Há alguns anos, o segredo era a alma do negócio. Cada empresa defendia fervorosamente o seu conhecimento. A partilha e as parcerias eram olhadas de soslaio. A espionagem industrial tinha os seus méritos. Felizmente que o advento das novas tecnologias de informação, a globalização e a fantástica capacidade de réplica dos Tigres Asiáticos, vieram mudar um pouco esta paisagem individualista.

Actualmente, são comuns as parcerias, a troca de informação, o benchmarking. A própria comunidade científica trabalha em rede. Em suma, o conhecimento está mais acessível do que nunca. Neste contexto, acho no mínimo curioso o que vos vou relatar em seguida.

Imaginemos uma empresa que vende vários produtos. Cada produto é da responsabilidade de um director. No entanto, o staff é partilhado por vários dos directores. A empresa, repito, é a mesma. Um dos directores, informado com os maus resultados do seu produto (A) pergunta, em tom de curiosidade, qual a performance do produto com maiores similaridades (B), a uma das pessoas que está precisamente a tratar da parte comercial de ambos. A resposta é honesta, a performance do produto B, apesar de melhor do que a de A, deixa muito a desejar. Foram introduzidas alterações, o mercado não está muito receptivo, adiante e por aí a fora...

No dia seguinte, o comercial ouve um responso do Director B, porque não tinha de fornecer informação ao Director A sobre o produto B. "É necessário dizer que o negócio está a correr bem e não entrar em detalhes". Como é óbvio, o comercial ficou confuso: "mas não é tudo a mesma empresa? Não trabalhamos todos para o mesmo? Além disso, só respondi ao que me perguntaram? É segredo?".

Esta pequena estória dá que pensar. Porque será que em vez de resolvermos efectivamente os problemas, de nos preocuparmos com a adequação dos mesmos ao mercado, perdemos tempo com ocultação e escapismo cor-de-rosa?

Deixo a questão....

terça-feira, maio 30, 2006



Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração


Restolho

Mafalda Veiga
http://paginas.fe.up.pt/~fsilva/mafalda/letras/index.htm

Mas porque é que eu não sigo o conselho....

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouviS
erá de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito


Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

250 sites obrigatórios - Exame Informática

At first glance:

www.amen.pt
www.greatbuildings.com
99rooms.com
www.allmusic.com
www.cienciadivertida.pt
www.imdb.com
www.movieweb.com
mexico.udg.mx/cocina/historia/histo.html
www.saint-exupery.org
www.whatisblik.com
moloco.com
wikipedia.org
etp.pt/wportal/sites/tv/gato fedorento/
www.falhanossa.com
www.jogos10.com
www.guggenheim.org
radiocomercial.clix.pt
www.secretplaces.com
www.lonelyplanet.com

sexta-feira, maio 26, 2006


AmorAustráliaÁrvoreÁguaAdamastorAlazãoAnelAmigoAconhegoAlegriaAbraçoAreiaAlfaceAnisAngústia BDBaladaBeijoBoloBotasBlogBluesBrincosBrumaBrancoBebéBaloiçoBrilhanteBárbaroBrisaBroa
CinemaCaminhadaCháCantarCerejaCaríciaCrónicaCrescerCasteloCirandarCalColóniaCarismaCasaCheiroChuva DesportoDormirDunaDesignDiárioDerivaDançarDeambularDecadenteDivagarDocumentoDócil
EçaEsplanadaEmailEscreverEstimarEcharpeEmbalarEnlaçarEfémeroEsconsoElementarElmoErgo FilmeFronteiraFériasFotografiaFeiraFuturoForçaFrescuraFofoFénixFarturaFerozFebraFácilFrenético GeloGeladoGostoGomaGaiatoGotaGomoGozoGargalhadaGrumoGaivotaGaélicoGaitaGiroGeral
HavaiHorizonteHabitatHabilidadeHasta
IrIogurteInfinitoIdealImagemImpressãoIrradiarInovarIncentivarImaginaçãoIpodIgluInigualávelIndomável
JeansJadeJasmimJazzJardimJornalJornaJovial
LivroLeãoLuaLençolLeveLiberdadeLimpoLábioLavandaLoucuraLaranjaLaçoLágrimaLouvor
MarMúsicaMiminhoMaternalMomentoMaduroMadeiraMacioMantaMãoMateMiudoMaviosoMudarMotivar NataçãoNataNeveNatalNaturezaNotíciaNovaNorteNamorarNãoNinguémNadaNuvemNavalNunca OdeÓculosOvaçãoOndaObjectivoOrvalhoÓrbitaObrigadaOmeleteOdor
PraiaPersistênciaPopPoemaPianoPrecePetiscoPalavraPensarPedrinhaPinturaPãoPreguiçaPanaceiaParadoxoPudor QueijadaQuotidianoQuaseQueijoQuasarQuequeQuerer
RádioRockRosaRelógioRebuçadoRonhaRumoRenascerRelvaRirRecado
SolSintraSelvagemSonhoSaborSombraSaberSensívelSerãoSorrisoSestaSinalSaboneteSaciarSaltoSedosoSaudade TeatroTénisTshirtTamborTrivialTelheiroTernuraTulhaTempoTira
UivoUMMUfaUlulanteUnirÚnicoÚtil
ViagemVentoVooVWVeadoVontadeVelozValsaVidaVorazViragemVoltarVigorVirilVielaVintémVigia XicolateXavierXaileXavecoXeque
ZooZurrapaZimbroZagalZimbórioZuca

Próximos Capítulos...


E pronto... Já vi. Uma coisa posso garantir: é diferente. Mas não gostei. Violência gratuita a mais, apesar de uma fotografia fantástica. Personagens complexos no limiar da fronteira entre o bem e o mal. Sangue a rodos. B&W q.b. Vê-se, mas esperava bem melhor...

quarta-feira, maio 24, 2006

Porque oferecemos flores?

Esta é, de facto, uma grande questão. Porque será que, independentemente da ocasião (nascimento, aniversário, baptizado, casamento, doença, falecimento, comemoração, tristeza,...), oferecemos flores? É que é algo que cai bem em qualquer ocasião. Ninguém fica ofendido quando lhe oferecemos flores. Mesmo que a pessoa não aprecie, dificilmente terá coragem de o admitir.

As flores acompanham assim o percurso de cada um de nós. Mesmo os homens, quanto mais não seja por oferecerem (se bem que certamente não tantas vezes como gostaríamos), estão ligados a este tema. É óbvio que as flores mudam consoante a situação e o contexto. Inclusivamente há obras publicadas sobre o significado da especie oferecida e da quantidade escolhida. Quem desconhece o significado das rosas vermelhas?

No entanto e, é por isso que me estou a debruçar sobre o assunto, as flores apesar de todas as boas vibrações que lhes estão associadas, mais tarde ou mais cedo, fenecem, murcham, perdem o viço, a graça, a vontade de viver e transformam-se num incomódo sujo e mal-cheiroso. Será que, com o tempo, o mesmo acontece às boas intenções de quem as oferece?

terça-feira, maio 23, 2006

E se não houvesse....

Um pouco à laia dos últimos livros do José Saramago, peço-vos para imaginarem um mundo sem futebol....
Isto é realmente um desafio. Como por um toque de magia, desapareceriam os estádios, os dirigentes desportivos inflamados, os árbitros e os seus apitos dourados, as camisolas com o número do jogador favorito, os próprios jogadores e até os clubes! Acabavam-se os jogos na televisão, em directo e em diferido. Os comentadores teriam tempo para outras modalidades e até a Sportv teria de arranjar com o que encher a grelha de programação. Os anúncios galvanizadores teriam de apelar a outros desportos. Os homens passariam a dedicar mais tempo a outras actividades e as conversas versariam sobre temas mais edificantes. Iríamos mais ao cinema, ao teatro, ler-se-iam mais livros, eu sei lá, creio que cada um teria dificuldade em descobrir o que fazer com o tempo ganho. Agora é só imaginar todo esse tempo individual multiplicado por um país inteiro. Quem sabe, até a produtividade poderia aumentar.
Parece o cenário ideal. Só há uma coisa que me incomoda... então e a selecção?

quarta-feira, maio 17, 2006

24



Se há umas semanas me dissessem que eu ia ficar pregada em frente ao televisor durante horas e horas a fio, nunca acreditaria. Gosto de ver televisão, é um facto, mas nos dias que correm, a programação é tão boçal e desinteressante que é difícil agarrar-me como espectadora. De tudo o que passa, os meus favoritos são os talk shows (Oprah e Dr. Phil) e, claro, as séries americanas (Desperate Housewives, CSI, ...). Por falar nisso, quem terá sido o génio que decidiu que as boas séries só devem passar após a meia-noite? Certamente alguém que não trabalha ou então que grava os episódios. Acho cruel que no prime time sejamos brindados com telenovelas/lixo e só muito tarde, já depois do Vitinho do trabalhador, surja algo interessante...

De qualquer das formas, quando me emprestaram o 24, perguntei jocosamente sobre dali a quantos meses é que podia devolver o DVD. Mal sabia eu... Na realidade, tinha visto alguns episódios da série 1, achei o conceito interessante, mas não tive disciplina para acompanhar o desenrolar das aventuras de Jack Bauer. Nalgumas semanas por feliz coincidência apanhava a série e fui vendo alguns bocados, sem verdadeiro entusiasmo.

15h - Domingo passado. Que vamos fazer? E que tal um filmezinho? O que é que há para aí? Ok, nada de jeito.... E se experimentassemos um episódio do 24? Que grande seca? Ainda por cima é da 2ª série. Anda lá, vamos tentar... Pois é, um episódio foi o suficiente para viciar e começar uma autêntica maratona. Nessa tarde e noite, devorámos 11 episódios seguidos. Foi um disparate! É que a série, apesar de totalmente irreal, entusiasma, prende a atenção e consegue sempre deixar-nos em suspense para o episódio seguinte e como no DVD está ao alcance de um botão apenas... é muito fácil!! Ainda não acabei a 2ª série, mas não descansei enquanto não deflagrou o nuke.... E posso confirmar que foram horas bem passadas. Já não falta é muito.

De qualquer das formas, não há razões para preocupação. Já lá tenho a 3ª série também!!!

sexta-feira, maio 12, 2006

Nuestros Hermanos....

De Espanha nem bom vento, nem bom casamento...

Quanto andava no 1º ano (o que equivale agora ao 5º ano, [como estou velha, pareço a minha mãe a falar do antigo 7º ano]), o programa curricular incluia História. Até aí, interessava-me pelo assunto, mas a minha paixão pelo tema foi motivada pela stôra que então me deu aulas.

Muito honestamente, já não me recordo do seu nome. Mas isso, é facilmente resoluvel, embora implique procurar os meus materiais da altura. De qualquer das formas, esse detalhe não é relevante para o meu propósito. Era uma rapariga jovem, muito bem disposta, simpática e um pouco rechonchuda. As suas aulas assemelhavam-se a uma novela ou ao Dragonball (que obviamente só surgiu muito mais tarde, já andava na Faculdade), uma vez que sempre que soava o toque, sustinhamos a respiração e ficávamos em suspenso até à aula seguinte, em que finalmente poderíamos respirar de alívio e saber o destino dos nossos personagens históricos favoritos. Era um pouco o mítico "não percam o próximo episódio, porque nós também não."

O programa do 5º ano tratava da História de Portugal. Começava nos primeiros povos que habitaram a Península Ibérica e iamos por aí a fora até à formação de Portugal, à Reconquista Cristã, a consolidação das fronteiras, o povoamento, as cruzadas, ...

As aulas eram visuais, no sentido em que nos sentíamos transportados numa máquina do tempo, até ao ano em questão. As descrições da professora eram vivas e animadas. Sentiamo-nos parte da história, vibravamos com os acontecimentos, apontavámos favoritos, tomávamos posições, esgrimiamos argumentos, entusiasmavamo-nos e, não raro, os ânimos exaltavam-se! Era uma professora bestial! Não tenho duvidas que na minha turma toda a gente ficou fã de história.

E também não tenho dúvidas de que se forjaram inimizades mortais com os espanhois... (bem sei que na altura seriam castelhanos, aragoneses, leoneses, navarrenses) . É que acompanhando a história que se desenrolava nas nossas aulas, era para nós bastante claro que os nuestros hermanos não passavam de um povo mesquinho, com ambições ibéricas, que ficou sempre com o nosso valente Portugal atravessado na real gana.

Remonta a essa época, o meu desconforto com os nossos vizinhos. Não só a História nos mostra que em diversas situações não estiveram à altura da ocasião, como também persiste a sensação, de que se julgam superiores aos restantes habitantes da Península. É certo que os indicadores económicos são esmagadores, mas nem só de economia se faz um povo...

Vejamos, quando vamos ao outro lado da fronteira, todos arranhamos "portinhol" e somos generosos em gracias e buenos dias. Quando a situação é a inversa, não vejo o mínimo esforço nesse sentido. Os espanhois são pródigos apenas num esforço de comunicação: falam muito alto, gritam, são muito ruidosos, não há como não dar por eles. Claro que a menos que sejamos duros de ouvido, o resultado é contraproducente. Quem é que percebe um nuestro hermano a falar muitos decibeis acima do necessário, a alta velocidade num castelhano cerrado?

Ora a língua levanta um outro problema. À parte alguns bairrismos mais ou menos exacerbados, como a rivalidade Lisboa - Porto, Portugal é um estado nação. Aliás, um dos únicos na nossa velha Europa. Trocando por miudos, quer isto dizer que o povo português partilha as mesmas raízes, a mesma história, tradições, cultura e costumes. Falamos uma mesma língua, a religião dominante é a mesma em todo o território. No fundo "muito mais é o que nos une, do que aquilo que nos separa" (Rui Veloso dixit). Ora, o mesmo não poderemos dizer sobre os nossos vizinhos. Aqui está um ponto em que seguramente nos invejam. A Espanha é um estado composto por várias nações distintas, com línguas, cultura, costumes e tradições diferentes e que, ainda por cima, não coabitam facilmente. Podemos dizer que se trata de um barril de pólvora a aguardar que acendam o rastilho.

Muitas outras diferenças podem ser apontadas: república/monarquia, trabalho/siesta, touradas a cavalo/touros de morte, fado/salero, .... Somos, de facto, muito diferentes, o que em si mesmo não preconiza nada de mal. No entanto, basta lembrar-me, por exemplo, da Batalha de Aljubarrota e do Cerco de Lisboa e as emoções brotam à superficie da pele.... Nuestros hermanos, vamos com calma. Vizinhos e já vão com sorte!

terça-feira, maio 09, 2006

Improdutividade...

12h05m Ligo para um Serviço da Administração Público. Preciso falar com determinada pessoa. O telefone toca, toca, toca, toca...... até que se desliga. Torno a tentar. Toca, toca..... Experimento outro número. Depois de alguma insistência, lá me atendem. Explico que pretendo falar com fulana X.

-"Não é para este número. Tem de ligar para o geral."
-"Isso já eu fiz, mas ninguém atende...."
-"Tem de esperar um bocado, está em busca automática."
Bem, a saga continua. Volto a ligar e volto a esperar e desesperar.
12h20m Finalmente alguém atende do outro número. Digo ao que venho e colocam-me novamente à espera. Uma eternidade depois volto à telefonista.
-"A dra. X não atende, já deve ter ido almoçar."
-"Ai sim. Então qual é o horário de almoço?"
-"Do meio-dia às duas e meia. Pode ser do meio dia às duas e meia"
-"E a que horas saem?"
-"Às cinco."
-"Ah, e a que horas entram?"
-"Às 9. Quer dizer, eu não sei se ela foi almoçar, mas pode ter ido. Estamos no intervalo de almoço"
-"Muito bem. Voltarei a tentar a partir das 14h30m. Obrigada."

Acho que esta conversa é bem reveladora. Palavras para quê? É óbvio que este país dificilmente irá sair do buraco. Estou farta de ver defender a Administração Pública. Podia até inclinar-me a conceder o benefício da dúvida, mas as provas amontoam-se. Todos os dias. É o MNE. É o SEF. É o DGAP. É o XPTO. Para qualquer sítio que ligue ou assunto que necessite de tratar, a evidência entra pelos olhos dentro. A Administração Pública Portuguesa é completamente ineficiente, inoperante, ineficaz e improdutiva. Ninguém faz nada e, pior, não querem fazer e enxovalham quem faz.

Como é que se pode compreender um horário de trabalho destes: 9h-12h e 14h30m-17h? É um horário para se fingir que faz.......... 5.5 horas!!!!!!!!!! Bem, se ao menos funcionassem neste pequeníssimo intervalo.......

Chega. Não me venham defender a função pública, que eu não aguento. Sejam úteis. Deixem de ser parasitas e de viver à conta do contribuinte! Vão trabalhar!

quinta-feira, maio 04, 2006

Because of you....

I will not make the same mistakes that you did
I will not let myself cause my heart so much misery
I will not break the way you did
You fell so hard
I've learned the hard way, to never let it get that far

Because of you
I never stray too far from the sidewalk
Because of you
I learned to play on the safe side
So I don't get hurt
Because of you
I find it hard to trust
Not only me, but everyone around me
Because of you
I am afraid

I lose my way
And it's not too long before you point it out
I cannot cry
Because I know that's weakness in your eyes
I'm forced to fake, a smile, a laugh
Every day of my life
My heart can't possibly break
When it wasn't even whole to start with

Because of you
I never stray too far from the sidewalk
Because of you
I learned to play on the safe side
So I don't get hurt
Because of you
I find it hard to trust
Not only me, but everyone around me
Because of you
I am afraid

I watched you die
I heard you cry
Every night in your sleep
I was so young
You should have known better than to lean on me
You never thought of anyone else
You just saw your pain
And now I cry
In the middle of the night
For the same damn thing

Because of you
I never stray too far from the sidewalk
Because of you
I learned to play on the safe side
So I don't get hurt
Because of you
I tried my hardest just to forget everything
Because of you
I don't know how to let anyone else in
Because of you
I'm ashamed of my life because it's empty
Because of you
I am afraid

Because of you
Because of you



É engraçado como andamos alegremente a trautear esta canção, quando na realidade é uma ode ao sofrimento, à desconfiança e ao ressentimento. Já repararam bem na letra? Coitada da mocinha, o tipo devia ser um animal. Colocou-a a jogar na defensiva e a viver uma vida vazia. Isso é lá coisa que se faça à Kelly Clarkson? Não querem lá ver....

quarta-feira, maio 03, 2006

Os falsos............




"Olá Francisco. Deves estar zangado comigo. Estou tão em falta contigo, mas não sabes ando com uma vida louca. Meu querido, ando doida de trabalho. E ainda por cima, ligo-te com uma grande lata para te pedir um favor... É verdade, ainda não respondi às tuas solicitações, mas estou mesmo desesperada. Se tu não me conseguires ajudar, não sei quem poderá... Pois é, mas não fiques zangado. Temos de combinar almoçar um dia destes, para podermos conversar. Olha lá, vê lá se sabes...."

Não sei se vomito ou se lhe gabo a lábia. Vindo de alguém que todos os dias começa a trabalhar às 11h. Almoça das 12h30m às 15h e às 19h já está de mala aviada, é dose. But, who cares? Claro que o melhor é ganhar um ordenado chorudo para se desresponsabilizar de qualquer coisa que corra menos bem, e empurrar sem qualquer pudor o trabalho para a secretária alheia. Pelo amor da Santa, há gente com muito descaramento!?

Resistente

Não... ainda não foi desta. Depois de uma longa ausência, voltei. Já por diversas vezes, dei comigo nesta mesma página, olhando para a folha em branco e pensando que, quanto mais não fosse por disciplina, deveria escrever alguma coisa. Mas não saía nada... um bloqueio escritural... Enfim, falta de apetite para escrever. Aliás, continuo a padecer do mesmo mal. Mas, adiante que se faz tarde e como costumo dizer "Bola para a frente, que atrás vem gente!".

Ontem li um artigo no Expresso, que me fez especie. Falava de famílias, sim, isso mesmo, pai + mãe + filho(s) que (sobre)vivem todos os meses com pouco mais de 1.000€/mês. E, mais interessante ainda, a média nacional de rendimentos familiares ronda esses valores. Ora, pergunto-me como é que estas pessoas conseguem? Partilham certamente um dom precioso, uma qualquer organização secreta que ensina a governar uma casa e os seus ocupantes sem recorrer ao vil metal. Qual é o segredo? Não me considero perdulária, mas também não fico a dever à avareza. Acho que me posso inscrever na lista do meio termo, guiado pelo bom senso. No entanto e apesar de ser só uma, gasto mensalmente bastante mais do que uma família inteira! E atenção que não há aqui desvairios de novo-riquismo ou truques falaciosos. E não, não como marisco nem caviar todos os dias. Até os meus pequenos luxos de moda têm sido sacrificados....

Realmente, não entendo. E, surpreendentemente, estas pessoas não pareciam especialmente angustiadas ou preocupadas com a sua situação actual. Alguns, espanto, até conseguiam poupar uns cobres. E as pessoas estavam felizes, conformadas com a sua situação e até agradecidas. Desculpem lá, mas há qualquer coisa neste quadro que não joga bem. Talvez a estranheza esteja em mim, que devo ser uma ambiciosa, materialista, gananciosa, egoista de primeira água. Mas será normal, esta falta de visão, de perspectiva, de futuro? O agradecer o presente que é mau, porque o futuro poderá ser pior?

O conformismo é uma coisa que não consigo tolerar. Isto devem ser resquícios de quando achava que podia virar o mundo. Mas a verdade é que nunca me consegui acomodar ao que não acho correcto. É certo que há coisas que são e hão-de ser, mas muitas outras dependem apenas de nós. Podemos não estar onde queremos, mas pelo menos temos vontade de apanhar o caminho certo para lá chegarmos. Podemos enfrentar muitas contrariedades, obstáculos, duvidar da nossa força de vontade ou da nossa sorte, mas não podemos nunca, em circunstância alguma, desistir. Deixar de acreditar, de sonhar, de perseguir os nossos objectivos, independentemente das circunstâncias actuais, é mais de meio caminho andado para permanecermos onde estamos. A revolta é o motor da esperança!

Claro que nem todos podemos apanhar auto-estradas. Mas que raio, podemos dar nem que seja pequenos passos na direcção certa. Agora, baixar os braços e conformar-se com o imobilismo, é inaceitável!!!!!!!

quinta-feira, abril 27, 2006

Frenética

É como me sinto e como anda a minha vida. Sempre a bombar a alta velocidade. No trabalho então, é como se tratasse de um longo mergulho em apneia, em que apenas se vem à superficie no último instante para respirar. Apenas se cumprem as necessidades fisiológicas básicas... De resto, uma longa caminhada num terreno cheio de declives e obstáculos. Cada passo é doloroso, mas o pior é que por cada passo que damos, arrancado a grande custo, o caminho se alonga mais uns metros. De forma que corro e nunca chego a ver o fim da estrada. Se há dias em que dá gozo correr e em que a jornada parece um passeio no campo, outros há em que é opressivo, deprimente e frustrante.
Claro que há o reverso da medalha. Tudo o que é demais, não resulta. Quando acabam as baterias, caio numa profunda letargia, não apetece fazer nada, não há iniciativa. E, claro, fico danada por ficar inactiva e sem reacção. De modo, que há um equilibrio perdido que tem de ser forçosamente retomado, sob pena.......

terça-feira, abril 18, 2006

E alguém sabe....

So I found the reason to stay alive
Try a little harder see the other side
Talking to myself, too many sleepless nights
Try to find a meaning to this stupid life
I don't want your sympathy
Sometimes i don't know who to be

Hey, what you’re looking' for?
No one has the answer, they just want more
Hey who's gonna make it back?
This could be the first day of my life
So I found the reason to let it go
Tell you that I’m smilin', but I still need to grow
Will I find salvation in the arms of love?
Will it stop me searching?
Will it be enough?
I don't want your sympathy
Sometimes I don't know who to be

Hey, what you're looking' for?
No one has the answer, do you just want more
Hey who's gonna make it back?
This could be the first day of my life
The first time to really feel alive
The first time to break the chain
The first time to walk away from pain

Hey, what you're looking' for?
No one has the answer, will you just want more
Hey, who's gonna make it back?
This could be the first day of your life
Hey, what you're looking' for?
No one has the answer, they just want more (ooh, yeah)
Hey, who's gonna shine a light?
This could be the first day of my life

Auto-destruição

Há pequenas coisas que eu sei que me fazem mal. Ninguém me disse. Simplesmente sei. Tenho consciência. No entanto, há alturas em que a voragem do abismo é avassaladora. Parece que há uma vontade premeditada de auto-destruição, completamente contra natura.

Os efeitos não são muito perniciosos, mas servem para deitar por terra vontades longamente mentalizadas, propósitos claramente definidos e interiorizados. Todos os dias de manhã, renovo os votos e todos os dias é mais uma batalha.

A tentação é mais forte. E se... Só um bocadinho não faz mal... Mas prometeste que não ias fazer mais isso. Que se lixe! Foi um dia tramado, está-me mesmo a apetecer. Tive muitas chatices, mereço um pequeno conforto. Mas depois já sabes que ficas arrependida... Não quero saber. É só hoje. Amanhã não faço. Ou melhor ainda, e se fizer novamente amanhã? Vem daí mal ao mundo? Alguém tem alguma coisa a ver com isso? Não estou a prejudicar ninguém. Pelo contrário, até fico mais bem disposta. Não, não podes. Controla-te. Não tens vergonha? Pareces uma criancinha. Que treta. Mas o que é que estou a tentar provar? E a quem? E lá cedo...

Todos os vícios são maus por natureza, por definição. Claro que há um ranking de vícios. A própria palavra vício é feia. Remete para algo obscuro, obsessivo e inconfessável. E mais uma vez lá resolvo, decido, escrevo, prometo que não vou tornar a ceder à tentação. Que por uns momentos de magia não vou fazer tábua rasa das minhas convicções.

Mas a carne é fraca... e o vício é tão doce. Quem é que inventou as malditas tabletes de chocolate?

Back to life

Pois é... tudo o que é bom acaba rápido. É engraçado que há alguns anos me impacientava imenso com as férias. Não conseguia estar sem nada para fazer. Era um desperdício. O dolce farniente incomodava-me. Sentia-me improdutiva e ansiava pelo regresso ao trabalho. Férias para mim só contavam se fosse fora de casa, em locais exóticos e fora da rotina. Como as coisas mudam... Estive cinco dias inteirinhos sem trabalhar, fiquei em casa ou andei pelas redondezas e soube-me muito bem. Aliás, até me soube a pouco. Nada de saudades do trabalho, nada de angústia pela inacção... Será da idade? Será sinal dos tempos? Ou apenas sintomático de mudança de objectivos de vida?

Sim, pois que eu na adolescência achava que ia mudar o mundo, que podia fazer a diferença, que seria uma nota de cor no meio do cinzentismo vigente. É difícil lidar com estas ilusões quando finalmente o véu se levanta e encaramos a realidade tal como ela é, sem as quimeras aguerridas da juventude. Até parece ridículo pensar que já fomos contra o sistema, que o quisemos mudar, que não concordavamos com as normas instituidas, que ousámos pensar out of the box. Que tolice! Assim que crescemos, aprendemos que somos apenas mais uma peça na grande engrenagem global. Se funcionarmos temos trabalho. Se mostrarmos fraqueza, seremos substituidos por uma peça em melhores condições. E anda que se faz tarde. Claro que isto é triste e redutor. Mas o pior de tudo é quando começamos a achar tudo isto normal....

quarta-feira, abril 12, 2006

Out of the office

"Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol."
Pablo Picasso

Amanheceu um dia bonito. O sol dá um ar da sua graça. A semana é mais curta. Amanhã e depois e nos seguintes três dias não se trabalha... São razões de sobra para estar bem disposta. Claro que está a custar a passar este último dia de trabalho. É incrível como quando é inconveniente o tempo se arrasta e estiiiiiica, estiiica e não avança. Os ponteiros do relógio parecem grudados, como se os tivessemos enchido de cola e estivessem a secar rapidamente.

terça-feira, abril 11, 2006

Mudar...

Estou farta. Farta. Farta. Farta. F.A.R.T.A. Farta. Fartíssima. Saturada. Completamente farta. Não há quem aguente. Estou tão farta que já nem tenho força para estar mais farta. É triste quando estamos tão fartos, que nem sequer temos energia para nos revoltarmos com tanta fartura. Caímos na apatia da saturação. Já não se suporta nada. Não há paciência que nos valha. Qualquer coisa nos faz perder as estribeiras e a compostura. Grita-se por tudo e por nada. Irrita-se. Pragueja-se. Vocifera-se. Satura-se. Até que chegamos a um ponto em que já nada nos interessa. Está tudo mal. Vemos e reconhecemos que está mal. Podia melhorar, mas isso implica um esforço que já não queremos ou podemos fazer. Who cares? Caímos na apatia. Borrifamo-nos no assunto. Deixamos andar. Não queremos sequer lembrar-nos disso. Para quê ter ideias ou iniciativa? Nada muda. Tudo permanece. Viramos o mundo do avesso e ele teimosamente retoma a posição inicial. Desmultiplicamos esforços e apenas conseguimos suster a marcha atrás. Estou farta! E estou farta de estar farta!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

terça-feira, abril 04, 2006

Uma palavra por dia...

circunlóquio do Lat. circumloquiu
s. m., rodeio de palavras; perífrase.

perífrase do Gr. periphrasis < perí + phrasein
s. f., emprego de muitas palavras para exprimir o que podia ser dito mais concisamente; circunlóquio.

solilóquio do Lat. soliloquiu
s. m., monólogo.

More

Drive. É mesmo disso que ando a precisar... É difícil acordar todos os dias, sabendo que se vai enfrentar uma hora de trânsito para fazer um trabalho que não só já não é motivador, como também não paga bem. O dinheiro não é tudo. Certo, mas nalguns casos pode ser um motivador eficiente (pelo menos durante uns tempos). Mas, o que fazer quando o nosso trabalho deixa de ser apaixonante e vibrante e se converte numa rotina maçadora e frustrante, com as mesmas pessoas, os mesmos erros, as mesmas estórias consecutivamente? A resposta óbvia: quem está mal, muda-se! Ora, querer é poder, mas nem sempre... Como trocar o seguro pelo inseguro, o certo pelo incerto, arriscar sem rede e manter a compostura? É duro, mas acho que está na altura. Estou farta de esperar que sejam horas de voltar para casa, para suportar mais uma hora de trânsito, comer, dormir e recomeçar o ciclo. There's gotta be more to life...

I've got it all, but I feel so deprived
I go up, I come down and I'm emptier inside
Tell me what is this thing that I feel like I'm missing
And why can't I let go

There's gotta be more to life...
Than chasing down every temporary high to satisfy me
Cause the more that I'm...
Tripping out thinking there must be more to life
Well it's life, but I'm sure... there's gotta be more
Than wanting more

I've got the time and I'm wasting it slowly
Here in this moment I'm half way out the door
Onto the next thing, I'm searching for something that's missing

Than waiting on something other than this
Why am I feelin' like there's something I missed.....

sexta-feira, março 31, 2006

Walking away...


I'm walking away from the troubles in my life
I'm walking away oh to find a better day
I'm walking away from the troubles in my life
I'm walking away oh to find a better day
I'm walking away

sometimes some people get me wrong
when it's something I've said or done
sometimes you feel there is no fun
that's why you turn and run
but now I truly realise
some people don't wanna compromise
well I saw them with my own eyes spreading those lies
and well I don't wanna live my life too many sleepless nights
not mentioning the fights i'm sorry to say lady

I'm walking away from the troubles in my life
I'm walking away oh to find a better day
I'm walking away from the troubles in my life
I'm walking away oh to find a better day
I'm walking away

Well I'm so tired baby
things you say you're driving me away
whispers in the powder room baby
don't listen to the games they play
girl I thought you'd realise
I'm not like them other guys
coz I saw them with my own eyes
you should've been more wise
and well I don't wanna live my life too many sleepless nights
not mentioning the fights I'm sorry to say lady

I'm walking away from the troubles in my life
I'm walking away oh to find a better day
I'm walking away from the troubles in my life
I'm walking away oh to find a better day
I'm walking away

Paz

É paradoxal como por vezes temos de fazer guerra para ficarmos descansados. O conceito é muito estranho e parece de desconfiar. Mas é verdade. Para acabar com a amargura, o descontentamento latente, a sensação de indefinido, nada melhor do que tomar uma posição de força, mesmo que isso represente passar à hostilidade. Acredito que há problemas que só têm uma solução possível: cortar o mal pela raíz. É um lugar comum. Mas é verdade, mais uma vez. As tréguas deixam uma sensação de mal resolvido, de decisão adiada, de trabalho inacabado. Por isso, nas pequenas coisas do quotidiano, eu sou pela guerra... Porque só através dela, podemos alcançar a paz!

quarta-feira, março 29, 2006

Desassossego

Detesto. Irrito-me. Não consigo deixar de pensar. Canso-me. Viro-me para um lado, viro-me para o outro. Repiso as ideias. Oiço todos os pequenos sons da noite. Mudo de perspectiva e vou desaguar ao mesmo rio. Os carros passam. Mas a inquietação não. Há barulhos no andar de cima. Mas o que será que andam a fazer às 3 da manhã? Tomo decisões definitivas. Um avião. Mudo de ideias. Volto ao início. Os cães ladram. Que desespero. Tento abstrair-me. Não, estou obcecada. Está escuro. Volto a mudar de posição. E outra vez. Pondero fazer qualquer coisa. Mais um som não identificado. Doem-me as pernas. E a cabeça... Olho para o relógio que não avança. O tempo estende-se, elástico. Estou desconfortável. Mais uma volta. Tenho calor... e frio. Revejo ininterruptamente os mesmos momentos. E se... Estou farta. Finalmente, libertador, toca o despertador. Bolas, estou cheia de sono. Que raiva! Quem é que inventou a insónia?

segunda-feira, março 27, 2006

Mesquinhez

As pessoas conseguem ser muito mesquinhas, invejosas, pequeninas, miudinhas, rancorosas, vingativas, sórdidas, abjectas. É impressionante o fel que se esconde dentro de cada um de nós. Claro que (wishful thinking) a maioria de nós consegue usualmente controlar essa punção para ser maldoso e só liberta o monstro em casos muito pontuais e raros. No entanto, outros há que veneram a bílis e fazem da perfídia uma forma de vida. Retiram prazer desses actos e secretamente julgam-se superiores. As vítimas são uns anjinhos, uns carneirinhos prontos para o altar sacrificial. Impávidos e serenos assistem ao mal estar que provocam, às insónias, problemas de consciência, frustrações e ansiedades. Será que vale a pena? Claro que não. Espero que provem do seu veneno e se engasguem na própria maldade.

sexta-feira, março 24, 2006

Paz interior

Era mesmo disto que eu precisava... Quanto mais não fosse, porque com o burburinho da água não me conseguiria ouvir pensar!!!

TGIF

Só faltam algumas horas para o fim-de-semana. É incrível como a semana útil se arrasta, recheada de pormenorezinhos, detalhes embirrantes, assuntos irresolúveis que ameaçam eternizar-se, sugando-nos a paciência até a perdermos por completo. Milhares de pequenas coisinhas que quando adicionadas formam um infinito de problemas, má vontades, incompetências ou faltas de atenção que nos complicam a vida, infernizam a existência, nos roubam o tempo para aproveitar o facto de estarmos vivos, nos tornam em autómatos e escravos de uma realidade paralela em que puerilmente acreditamos que temos vontade própria e somos senhores dos nossos destinos. A rotina massacra, tortura, arrasta-nos nas suas engrenagens e esmaga-nos, cospe-nos do outro lado como uma amálgama do que fomos, um espectro da nossa imagem... E depois, gloriosamente, vem o fim-de-semana e por algumas horas é-nos permitir SER. TGIF = Thank God it's Friday!

quinta-feira, março 23, 2006

Contagioso...

Mais do que a peste negra. Mais do que a gripe das aves. Mais do que a malária. Mais do que a tuberculose. Mais do que a poliomielite. Mais do que o sono, ou mesmo do que a gargalhada.

Há canções que são contagiosas.Que não nos largam. Não despegam. Grudam como as sanguessugas e não as conseguimos afugentar. Dou por mim a cantá-las a qualquer hora, a trauteá-las em qualquer lugar. Ficam a martelar na cabeça. Incomodam. Tornam-se automáticas e espontâneas. Às tantas, já nem damos por elas.

Esta é uma dessas...

Precious and fragile things
Need special handling
My God what have we done to you
We always tried to share
The tenderest of care
Now look what we have put you through

Things get damaged
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle
There was so little left to give

Angels with silver wings
Shouldn't know suffering
I wish I could take the pain for you
If God has a master plan
That only He understands
I hope it's your eyes He's seeing through

Things get damaged
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle
There was so little left to give

I pray you learn to trust
Have faith in both of us
And keep room in your hearts for two

Things get damaged
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle
There was so little left to give

Angustia...



Chove. Há dias assim. Pela janela oiço o som da chuva a bater e sinto as gotas grossas que se esborracham no vidro. Que vida triste... Caiem regaladas, viajam nas asas do vento e acabam destroçadas no chão, numa parede qualquer, nos olhos das casas, nos sonhos das gentes.

Chove. Há dias assim. Que apertam o coração. Que machucam. Que oprimem, entristecem e apoquentam. Há uma inquietação no ar. Paira o desassossego. Custa a respirar. As pessoas ficam mais lentas. Os sorrisos envergonham-se. Não há consolo que nos valha. Nem o calor dos lençois, nem uma bebida quente.

Chove. Há dias assim. A tristeza vem colada nas gotas e adere às paredes. A humidade invade as casas e os seres. Ressuma por todo o lado. Enregela e molha. O pessimismo faz a sua cama e o nevoeiro vem logo a seguir. Uma bruma espessa e paralisante. Labirinto sem saída.

Chove. Há dias assim. E custam a passar...

quarta-feira, março 22, 2006

Papoila será...


E que me importa a falta de imaginação? Cada um é como é, não como gostava de ser. Por isso, Papoila será. E bem encarnadinha (que vermelho é palavra politicamente conotada e ideologicamente em desuso). Para combater o cinzentismo vigente e o futuro negro, fica a minha homenagem à cor mais quente e mais vibrante. E vivam as papoilas...

Frustração 2... (é dose)

E não é que muita gente teve a mesma ideia....Quando pensei num nome para o blog, fiquei um pouco hesitante. Não sabia bem o que usar. Seria poético, seria uma definição de mim, um petit nom, qualquer coisa sem sentido? E então lembrei-me da Maria Papoila... Havia "long, long time ago (I can still remember)" um suplemento infantil no Correio da Manhã de Domingo (acho que era Domingo) que se chamava "Maria Papoila e Chico Omelete" ou versa-viça. Apesar de não me lembrar de mais pormenores, o que é certo é que os nomes ficaram e nunca mais esqueci estes dois personagens...

Então não é que verifico agora que centenas de outras pessoas também usam Maria Papoila? Sei que não é muito original, mas era preciso tanta falta de imaginação? Será que todos liam o Correio da Manhã?

Frustração...

E pronto... já sairam os resultados do Campeonato Nacional de Língua Portuguesa e mais uma vez não fui apurada para a 2ª fase!? Eu até acho que não sou um completo zero à esquerda em termos de português, mas devo confessar que duas negas seguidas em anos consecutivos, me levam a duvidar desta premissa. E eu até pedi ajuda... Mobilizei a família toda em torno do teste, discutiram-se opiniões, consultaram-se livros, dicionários, gramáticas, a net... e no fim, fui eliminada, ou melhor, fomos eliminados! Sim, que para não me sentir tão incompetente, arrasto comigo pelas lamas do mau português, todos aqueles que me ajudaram... Não resolve, mas ajuda!

E vai mais um...

Realmente, acho que isto se pode tornar um caso sério de vício, só que este, ao contrário de outros, não é imoral, não é ilegal, nem engorda (que é de tudo, o que menos preciso neste momento). Claro que pode ser um pouco alienante. Afinal, não me apetece trabalhar. Por mim, ficava aqui o resto da tarde a jogar conversa fora e a explorar este novo mundo. Nem sequer me apetece falar com ninguém. Tenho um brinquedo novo!!! É, de certa forma, libertador. Tudo o que se passa para o blog fica para a posteridade e, muito embora, possa ser uma perfeita parvoíce, está dito, está cá fora, ganhou nova vida. Claro que esta posteridade é relativa, mas ainda assim, é um statement. Será que há estratégias para isto? Ou é apenas deitar cá fora o que apetece, sem grandes preocupações? Enquanto não descubro, fica mais um...

"Eram já três, venham mais duas. As damas ao meio prá festa nua e uma volta a girar e outra voz a cantar, trocam-se os passos no ar, esperem ainda que eram já três...."

Getting around..

Cá estou de novo. Creio que isto corre um de dois riscos: tornar-se viciante ou cair rapidamente no esquecimento, ser mais uma daquelas modas que toda a gente adopta e passado algum tempo já não há paciência para aturar... Espero que seja a 1ª opção, obviamente.

Entretanto, andei a explorar os cantos à casa (ou melhor a tentar). Enquanto isso, o mundo lá fora não pára e fui mais uma vez confrontada com a necessidade de certezas. É engraçado como num mundo cada vez mais acelerado e em constante mutação, precisamos de nos agarrar a certezas, pequenas âncoras que não nos deixam arrastar na voragem da mudança. A casa onde vivemos, o local onde trabalhamos, as pessoas que quem gostamos, a rotina organizadinha do dia a dia, pequenos nadas que mantêm a constância das nossas existências e que, no fim de contas, definem quem somos. Se, de repente, trocarmos de casa, de trabalho, ficarmos sem amigos e virmos o nosso quotidiano virado do avesso, será que ainda seremos nós?

Muitas vezes há uma ânsia de mudar, mas de mudar qualquer coisa, o essencial permanece. É naquelas alturas que nos sentimos mal na nossa pele que subitamente decidimos começar uma dieta, comprar roupa nova, mudar a cor do cabelo ou o penteado, fazer algo de inesperado ou aprender uma coisa nova. Tudo na vã esperança de nos sentirmos melhor connosco próprios, com o nosso "core". Algo correu mal e tentamos compensá-lo com esta pequena mudança, que acaba por reforçar quem somos. Paradoxal, no mínimo. Nunca tinha vistos as coisas por este prisma, mas pensando bem, acho que é isso mesmo!

Et voilà...

Et voilà...
Nunca pensei que fosse tão fácil. Há imenso tempo que andava a crescer dentro de mim a vontade de criar um blog. E foi hoje! Nem sei bem porquê. Acho que precisava de um espaço em que pudesse desabafar, escrever o que vai na alma, descarregar emoções, frustrações ou simplesmente gastar energia de uma forma inteligente e criativa (espera-se!). Não tenho grandes ilusões sobre a importância deste blog, mas para mim irá representar uma forma de descarregar o stress e, porquê não confessar, um pouco de entretenimento. Algo em que pensar nas horas vagas e que me ajude a suportar o cinzento compacto e denso que cobre a minha vida...