segunda-feira, junho 02, 2008

O verdadeiro medo

Não quero perder o juízo, a vontade de viver, a razão pela qual me levanto da cama todos os dias. Não quero ser indiferente. Não quero ser alienada, não ter com o que me preocupar ou ocupar os dias. Não quero ser doente e viver entre análises e comprimidos de todas as cores que se tomam de hora a hora. Não quero ter medo de adormecer e não quero que a vida seja uma maçada. Não quero ter dificuldade em movimentar-me, deixar de ser independente ou que mandem em mim. Não quero ter bisnetos, nem jogar às cartas no banco do jardim. Não quero tricotar, nem ver novelas, nem beber chá com as vizinhas. Não quero deixar de ser activa, não quero perder o olhar no horizonte e não aspirar a nada. Não quero sentir-me desencantada e cansada. Não quero desistir antes do tempo. Não quero que as rugas se apoderem de mim. Não quero ser info excluída. Não quero ser velha! De morrer, não tenho medo nenhum...