terça-feira, novembro 30, 2010

Lie to me


Sou fã desta série. Acho imensa piada ao Dr. Cal Lightman, ao seu ar gingão, troublemaker e arruaceiro, ao seu sotaque carregado, à forma arrogante como provoca as pessoas e obtem resultados. Claro que nem sempre as suas atitudes são simpáticas e, tal como sucede com o Dr. House, por vezes ficamos aborrecidos com ele. Mas não é possível que o amuo perdure. As suas poses são quase cómicas e a sua postura não podia ser mais oposta à de tradicional académico inglês. A sua especialidade é a descodificação da comunicação não verbal, sendo um perito na leitura das pessoas (avaliando por exemplo a veracidade das suas afirmações).

A pouco e pouco na série vamos descobrindo um pouco mais acerca da sua vida. É divorciado (e até já conhecemos a ex-mulher). Tem uma filha adolescente, a Emily, com quem mantém uma excelente relação e quem trata muito carinhosamente por 'Em'. A sua mãe cometeu suicídio, e é um assunto que o atormenta. Conheceu a sua sócia, Gillian Foster, há alguns anos quando ambos trabalhavam no Pentágono. A relação dos dois é um pouco ambivalente. São amigos e cúmplices. Protegem-se mutuamente e preocupam-se um com o outro. Muitas vezes têm opiniões antagónicas, sendo que a Foster é muitas vezes bastante mais racional. E, claro, existe uma tensão amorosa latente...

O Lightman Group está sedeado num edifício com linhas modernas e com um aspecto bastante acolhedor, onde decorre grande parte da acção. Em particular, no laboratório, existe um cubo envidraçado onde é usual colocarem os suspeitos, para que as suas reacções sejam melhor escrutinadas. Da equipa fazem também parte a Ria Torres, uma jovem cujo talento natural para avaliar as emoções a torna um diamante em bruto, e o Locker, um investigador que encaixa bem no protótipo de rato de laboratório.

Na 1ª série o Lightman Group trabalhava em colaboração com o FBI, sendo que na 2ª essa colaboração foi quebrada. O Cal desenvolveu uma relação privilegiada com uma agente da polícia, que a vai passar a ajudar profissionalmente... e um pouco mais...

After work

Entre sair do trabalho e a hora a que geralmente adormeço medeiam cerca de 5 horas. Uma hora ou perto disso é perdida no trânsito até chegar a casa. Sobram cerca de 4 horas, entre as 20h e as 24h. Não é muito tempo e após um dia inteiro de trabalho, o nível de energia não está propriamente no máximo. Além disso, há alguns elementos fixos que ocupam parte do tempo, como jantar e outras pequenas tarefas domésticos. Após o saldo final, sobram pouco mais de 2 horas por dia, para outras actividades e é aqui que começa o verdadeiro dilema: o que fazer?
- a solução mais fácil, mas também menos enriquecedora é sentar-me em frente à televisão e vegetar enquanto faço zapping até encontrar algum programa que me suscite interesse;
- uma variante desta solução é orientar um pouco mais a escolha e ver uma série específica, um filme ou um documentário;
- há sempre a alternativa de ler, o que para mim é muito apelativo, sobretudo quando o livro actual (ando sempre munida de literatura) está interessante;
- finalmente, a alternativa mais saudável, passa por fazer exercício. Quando se vence a perguiça e se toma a iniciativa, sabe muito bem, mas o problema é vencer a indolência....

sexta-feira, novembro 26, 2010

Lojas Vintage

Acho o conceito das lojas vintage muito interessante. Em Lisboa há algumas que conheço mal. A minha primeira visita foi um desconsolo. Esperava encontrar peças antigas bonitas e em muito bom estado. Na realidade, encontrei um amontoado de roupa pouco atractiva. Fiquei um pouco desmoralizada.
Entretanto, continuei a ouvir recomendações a estas lojas em revistas e até numa reportagem televisiva. Decidi dar uma nova chance. Guardei as moradas e na minha última visita a Londres, onde fui a trabalho (em meados de Outubro), decidi tirar um dia de férias e dar uma volta para apreciar melhor o assunto. As lojas que visitei ficavam um pouco fora de mão, mas constituiram uma agradável surpresa. Grande selecção de calçado e de roupa em bom estado...

Os despojos da Cimeira da NATO

Trabalho perto de um dos hoteis que acolheu comitivas para a cimeira da NATO. Na altura foi necessário cortar a circulação automóvel nalgumas ruas, bem como impedir o estacionamento. A PSP usou fitas plásticas (como as que vemos nos filmes a identificar o local do crime) para isolar os lugares de estacionamento.
A cimeira veio e foi. As fitas já não faziam sentido. Ninguém as recolheu, foram arrancadas pelos automobilistas. Agora enfeitam tristemente o asfalto...
Realmente, num país civilizado e com pretensas preocupações verdes, não se compreende...

terça-feira, novembro 23, 2010

Na minha Rua - Anaquim

Na minha rua há restos de vidas
Restos de famílias
De mães desaparecidas
E outras há que deram vida, às vidas que por ali param
Vindas de passagem e de passagem lá ficaram

Na minha rua há restos de cartazes
Restos de eleições
Do 'SIM' ao aborto e outras frases
Que eu não votei mas fiz pressão para que outro alguém votasse
Minha consciência passa a vida num impasse

Na minha rua há restos de mim por todo o lado
Espalhados pelo tempo e pelo espaço
Na minha rua há restos de mim por toda a parte
Rasgados e atirados pelo ar

Na minha rua há restos de namoros
De beijos e abraços
De zangas e desaforos
E eu não tive ninguém que se digna-se a odiar-me
No meu mau feitio de preguiça, humor e charme
Na minha rua há restos de noites
Restos de garrafas, bebedeiras e açoites
Gemidos disfarçados pela fúria dos turistas
À porta de boites tão baratas como ariscas

Na minha rua há restos de mim por todo o lado
Espalhados pelo tempo e pelo espaço
Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte
Rasgados e atirados pelo ar

Na minha rua há restos de mim por todo o lado
Espalhados pelo tempo e pelo espaço
Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte
Rasgados e atirados pelo ar

É tão bom saber que há vida assim
Faz tão bem ter histórias para contar
Eu quero ir poder então fugir
É bom pra mim
É bom pra quem tão bem me quer

A Mafalda tem razão...


VIVER DESPENTEADA

Decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...
- Fazer amor - despenteia.
- Nadar - despenteia
- Pular - despenteia.
- Tirar a roupa - despenteia.
- Brincar - despenteia.
- Dançar - despenteia.
- Dormir - despenteia.
- Beijar com ardor - despenteia.

É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide andar na montanha russa, que aquela que decide não subir.

Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres:
Entrega-te, come coisas gostosas, beija, abraça,
dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta,
dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para ficares linda, arranja-te para ficares confortável,
admira a paisagem, aproveita, e acima de tudo:
Deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear de novo...
***
Acabei de receber esta informação por e-mail e achei o máximo. A Mafalda é uma das minhas heroínas favoritas de BD. Tem tiradas fantásticas... Identifico-me bastante com o seu espírito contestatário, com a sua curiosidade insaciável e o seu mau feitio. Comprei há muitos anos um album que reune 'Toda a Mafalda' e que vale bem a pena ler. É uma verdadeira preciosidade...

domingo, novembro 21, 2010

Filme do Desassossego


No Sábado à noite fui assistir ao filme do Desassossego no auditório Olga Cadaval em Sintra. O filme foi realizado pelo João Botelho e tem como actor principal Claúdio da Silva no papel de Bernardo Soares. Ambos estiveram presentes no início da sessão e foi interessante contar com as suas presenças. Entretanto, o filme, como é amplamente conhecido, é baseado no Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. É feito de fragmentos, pequenos textos, muito belíssimos, mas não se pode dizer que o conjunto seja uno ou sequer que apresente um fio condutor. Conta com a participação de muitos actores portugueses conhecidos que representam pequenos apontamentos ao longo do filme. O cenário é maioritariamente Lisboa, uma cidade envelhecida, degradada, com uma luz peculiar, muito ligada ao rio e ao mar.
Queria muito ir ver o filme, mas devo confessar que foi um verdadeiro desassossego. As duas horas de duração foram torturantes. As cenas desconexas, o texto espesso, as personagens vadias, o sexo e a nudez gratuitas não são de fácil digestão.
O Bernardo é um ser atormentado, superiormente interpretado pelo Claúdio da Silva, que lhe emprestou uma dose de desespero e de insanidade que constituem o âmago desta personagem. No cômputo geral foi uma experiência interessante, mas que me deixou algum amargo de boca... Os filmes portugueses usualmente são assim...

sexta-feira, novembro 19, 2010

A Cimeira da Nato e a tolerância de ponto

Seja qual for o argumento que seja invocado, é um perfeito disparate dar tolerância de ponto por causa da Cimeira da NATO. Não é crível que os pacatos funcionários públicos, que na sua maioria se esforçam imenso para não fazer nada, constituam uma ameaça aos dignatários presentes na Cimeira. Seguramente também não se vão juntar à Contra Cimeira. Afinal de contas, qual a razão para que toda esta gente possa começar o fim-de-semana mais cedo e gozar um muito apreciado dia de folga, quando o país se afunda a grande velocidade? Será uma compensação antecipada pelo corte dos salários? Como irão receber menos no próximo ano, ganham antecipadamente um dia de férias? Nesse caso não me parece justo relativamente ao resto do país... Enfim, será para não atrapalharem? Se a razão é esta, creio que devemos prolongar indefinidamente a tolerância de ponto! O trânsito estava uma maravilha. Já há muito tempo que não chegava tão rapidamente a Lisboa. Afinal de contas, talvez este disparate tenha alguma razão de ser!!!

quarta-feira, novembro 17, 2010

The American

No Sábado fui ao Estoril Film Festival assistir a um filme extra competição, 'The American', realizado por Anton Corbijn. Fui completamente às cegas. Não sabia rigorosamente nada sobre o filme, excepto o título. Foi quase um acto de fé, vamos embora e logo se verá o que sai. A sala não é muito confortável e os bilhetes não eram marcados, pelo que chegámos com alguma antecedência. Acomodámo-nos o melhor possível e esperámos pelo início da sessão. Antes mesmo da abertura, o Tendinha apresenta-nos o realizador, que dirige apenas uma palavras à audiência. Entretanto, apagam-se as luzes e a imagem surge no écran: George Clooney!? Pergunto espantada para o lado: 'O filme é com o Clooney?'. Resposta no mesmo tom 'Não sabias? Olha que promete, parece que está cheio de cenas de sexo...' E, pronto, com uma explicação destas, conseguiram a minha atenção.
Na realidade é um filme bastante triste que relata as desventuras de um homem torturado e profundamente solitário. O George Clooney está sempre tenso, desconfiado, pouco à vontade e ansioso por uma liberdade que teima em fugir-lhe. Nunca sorri, o que torna o filme opressivo. Esta sensação é reforçada pelas magníficas paisagens invernosas italianas.
O final é arrepiante e a lição de vida que se retira perturbadora: a prostituta é que fica a ganhar!

terça-feira, novembro 16, 2010

O terceiro milénio

O último livro que li foi 'O Terceiro Milénio' da Colleen McCullough. É um livro perturbador e angustiante. Passa-se por volta de 2040 num cenário apocalíptico em termos naturais. Invernos glaciais, proibição de mais do que um filho, falta de esperança, objectivos e de rumo, corte disruptivo com o mundo da geração anterior. Neste contexto negro, surge um homem inspirador que decide lutar contra a 'neurose do milénio'. O livro relata a aventura da sua descoberta interior ao seu apocalipse pessoal. Provoca emoções negativas, misfit e impotência. Boa leitura para quem está na mó debaixo. Ajuda certamente a bater no fundo...

O blog mais ignorado

Só espero que ninguém leia o que escrevo aqui... A piada de ter um blog passar por ser público e ao mesmo tempo completamente ignorado. Está escrito e está disponível, mas é como se não estivesse. É o substituto moderno das folhas escritas amarrotadas que deixamos nas gavetas do escritório. É o segredo mais bem guardado. Ninguém sabe e essa é que é a graça!

Vida paralela

Adoro ler. Sempre me lembro de ser assim. Não me parece que me tenham incutido o bichinho da leitura. Simplesmente é uma coisa que comecei a fazer e que me entusiasmou. A leitura tem-me acompanhado ao longo de toda a minha vida. Em criança devorei todos os livros da colecção 'Uma Aventura', os livros dos meus pais e os que me foram oferecendo. Rapidamente esgotei o filão e passei para literatura mais pesada. Devo ter devorado todos os livros que havia em casa dos meus pais e ainda eram bastantes. Nas férias atacava a biblioteca e lia os livros que requisitava e os livros que o meu irmão trazia. E, claro, fui sempre comprando livros e lendo livros emprestados. É quase como se tivesse uma vida paralela. Quando estou a ler, o meu mundo muda, adopto o contexto das personagens que me acompanham. É assim que já visitei várias épocas históricas, países e locais. É assim que a leitura condiciona o meu mood e até a sua própria velocidade. Fico por vezes a pensar nos enredos, deliberadamente escolho ignorar as implicações de outros. Por vezes, nem saboreio, devoro, tal é a ansiedade e a impaciência. Se estiver mesmo entusiasmada, torna-se viciante. Não saio de caso, não quero saber de mais nada. Embrenho-me no meu mundo e digo à realidade 'não posso, só quando acabar de ler o livro'. Estou rodeada de gente, mas estou sózinha com as linhas impressas. As pessoas passam, mas não fazem ideia do que estou a viver. E, raras, raras vezes, consigo discutir as minhas leituras com quem as partilha. E nem sei bem se gosto... A realidade alternativa não é igual para todos. Não saio de casa sem estar munida de um livro. Há dias em que não consigo ler, mas penso sempre no assunto. É um vício, uma forma de estar, uma companhia e uma loucura. O mundo seria muito mais triste sem os livros. Quem me dera conseguir escrever um...

A pressão dos objectivos

Frequentei recentemente uma formação em que ficou muito claro que as pessoas que estabelecem objectivos são muito mais produtivas. E não estamos apenas a falar de objectivos a médio e longo prazo, estamos a considerar objectivos trimestrais, mensais, semanais ou até diários. Faz sentido. Quando sabemos para onde vamos, é mais fácil escolher o caminho. O problema começa quando não temos certezas do que queremos alcançar. Este dilema tem me dado muito que pensar. Como posso ser mais produtiva se não sei bem o que quero fazer. Andar à deriva, enterrar a cabeça na areia e deixar o tempo passar não é seguramente uma boa estratégia. Mas como descobrir em nós o que é fundamental? O que nos move? É a carreira? É a família? None of the above? Queremos desenvolver-nos e aprender mais? Mas para quê? Qual é o objectivo último? Não consigo evitar sentimentos de culpa quando mais um fim-de-semana passa e continuo sem estabelecer os meus objectivos de forma clara e decidida. Preciso de me disciplinar: objectivo, deadline, avaliação de desvios, etc. Mas estou bloqueada! Quem diria que o meu objectivo é precisamente definir o objectivo?!