quarta-feira, maio 03, 2006

Resistente

Não... ainda não foi desta. Depois de uma longa ausência, voltei. Já por diversas vezes, dei comigo nesta mesma página, olhando para a folha em branco e pensando que, quanto mais não fosse por disciplina, deveria escrever alguma coisa. Mas não saía nada... um bloqueio escritural... Enfim, falta de apetite para escrever. Aliás, continuo a padecer do mesmo mal. Mas, adiante que se faz tarde e como costumo dizer "Bola para a frente, que atrás vem gente!".

Ontem li um artigo no Expresso, que me fez especie. Falava de famílias, sim, isso mesmo, pai + mãe + filho(s) que (sobre)vivem todos os meses com pouco mais de 1.000€/mês. E, mais interessante ainda, a média nacional de rendimentos familiares ronda esses valores. Ora, pergunto-me como é que estas pessoas conseguem? Partilham certamente um dom precioso, uma qualquer organização secreta que ensina a governar uma casa e os seus ocupantes sem recorrer ao vil metal. Qual é o segredo? Não me considero perdulária, mas também não fico a dever à avareza. Acho que me posso inscrever na lista do meio termo, guiado pelo bom senso. No entanto e apesar de ser só uma, gasto mensalmente bastante mais do que uma família inteira! E atenção que não há aqui desvairios de novo-riquismo ou truques falaciosos. E não, não como marisco nem caviar todos os dias. Até os meus pequenos luxos de moda têm sido sacrificados....

Realmente, não entendo. E, surpreendentemente, estas pessoas não pareciam especialmente angustiadas ou preocupadas com a sua situação actual. Alguns, espanto, até conseguiam poupar uns cobres. E as pessoas estavam felizes, conformadas com a sua situação e até agradecidas. Desculpem lá, mas há qualquer coisa neste quadro que não joga bem. Talvez a estranheza esteja em mim, que devo ser uma ambiciosa, materialista, gananciosa, egoista de primeira água. Mas será normal, esta falta de visão, de perspectiva, de futuro? O agradecer o presente que é mau, porque o futuro poderá ser pior?

O conformismo é uma coisa que não consigo tolerar. Isto devem ser resquícios de quando achava que podia virar o mundo. Mas a verdade é que nunca me consegui acomodar ao que não acho correcto. É certo que há coisas que são e hão-de ser, mas muitas outras dependem apenas de nós. Podemos não estar onde queremos, mas pelo menos temos vontade de apanhar o caminho certo para lá chegarmos. Podemos enfrentar muitas contrariedades, obstáculos, duvidar da nossa força de vontade ou da nossa sorte, mas não podemos nunca, em circunstância alguma, desistir. Deixar de acreditar, de sonhar, de perseguir os nossos objectivos, independentemente das circunstâncias actuais, é mais de meio caminho andado para permanecermos onde estamos. A revolta é o motor da esperança!

Claro que nem todos podemos apanhar auto-estradas. Mas que raio, podemos dar nem que seja pequenos passos na direcção certa. Agora, baixar os braços e conformar-se com o imobilismo, é inaceitável!!!!!!!

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