Pois é... tudo o que é bom acaba rápido. É engraçado que há alguns anos me impacientava imenso com as férias. Não conseguia estar sem nada para fazer. Era um desperdício. O dolce farniente incomodava-me. Sentia-me improdutiva e ansiava pelo regresso ao trabalho. Férias para mim só contavam se fosse fora de casa, em locais exóticos e fora da rotina. Como as coisas mudam... Estive cinco dias inteirinhos sem trabalhar, fiquei em casa ou andei pelas redondezas e soube-me muito bem. Aliás, até me soube a pouco. Nada de saudades do trabalho, nada de angústia pela inacção... Será da idade? Será sinal dos tempos? Ou apenas sintomático de mudança de objectivos de vida?
Sim, pois que eu na adolescência achava que ia mudar o mundo, que podia fazer a diferença, que seria uma nota de cor no meio do cinzentismo vigente. É difícil lidar com estas ilusões quando finalmente o véu se levanta e encaramos a realidade tal como ela é, sem as quimeras aguerridas da juventude. Até parece ridículo pensar que já fomos contra o sistema, que o quisemos mudar, que não concordavamos com as normas instituidas, que ousámos pensar out of the box. Que tolice! Assim que crescemos, aprendemos que somos apenas mais uma peça na grande engrenagem global. Se funcionarmos temos trabalho. Se mostrarmos fraqueza, seremos substituidos por uma peça em melhores condições. E anda que se faz tarde. Claro que isto é triste e redutor. Mas o pior de tudo é quando começamos a achar tudo isto normal....
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