quinta-feira, abril 27, 2006

Frenética

É como me sinto e como anda a minha vida. Sempre a bombar a alta velocidade. No trabalho então, é como se tratasse de um longo mergulho em apneia, em que apenas se vem à superficie no último instante para respirar. Apenas se cumprem as necessidades fisiológicas básicas... De resto, uma longa caminhada num terreno cheio de declives e obstáculos. Cada passo é doloroso, mas o pior é que por cada passo que damos, arrancado a grande custo, o caminho se alonga mais uns metros. De forma que corro e nunca chego a ver o fim da estrada. Se há dias em que dá gozo correr e em que a jornada parece um passeio no campo, outros há em que é opressivo, deprimente e frustrante.
Claro que há o reverso da medalha. Tudo o que é demais, não resulta. Quando acabam as baterias, caio numa profunda letargia, não apetece fazer nada, não há iniciativa. E, claro, fico danada por ficar inactiva e sem reacção. De modo, que há um equilibrio perdido que tem de ser forçosamente retomado, sob pena.......

terça-feira, abril 18, 2006

E alguém sabe....

So I found the reason to stay alive
Try a little harder see the other side
Talking to myself, too many sleepless nights
Try to find a meaning to this stupid life
I don't want your sympathy
Sometimes i don't know who to be

Hey, what you’re looking' for?
No one has the answer, they just want more
Hey who's gonna make it back?
This could be the first day of my life
So I found the reason to let it go
Tell you that I’m smilin', but I still need to grow
Will I find salvation in the arms of love?
Will it stop me searching?
Will it be enough?
I don't want your sympathy
Sometimes I don't know who to be

Hey, what you're looking' for?
No one has the answer, do you just want more
Hey who's gonna make it back?
This could be the first day of my life
The first time to really feel alive
The first time to break the chain
The first time to walk away from pain

Hey, what you're looking' for?
No one has the answer, will you just want more
Hey, who's gonna make it back?
This could be the first day of your life
Hey, what you're looking' for?
No one has the answer, they just want more (ooh, yeah)
Hey, who's gonna shine a light?
This could be the first day of my life

Auto-destruição

Há pequenas coisas que eu sei que me fazem mal. Ninguém me disse. Simplesmente sei. Tenho consciência. No entanto, há alturas em que a voragem do abismo é avassaladora. Parece que há uma vontade premeditada de auto-destruição, completamente contra natura.

Os efeitos não são muito perniciosos, mas servem para deitar por terra vontades longamente mentalizadas, propósitos claramente definidos e interiorizados. Todos os dias de manhã, renovo os votos e todos os dias é mais uma batalha.

A tentação é mais forte. E se... Só um bocadinho não faz mal... Mas prometeste que não ias fazer mais isso. Que se lixe! Foi um dia tramado, está-me mesmo a apetecer. Tive muitas chatices, mereço um pequeno conforto. Mas depois já sabes que ficas arrependida... Não quero saber. É só hoje. Amanhã não faço. Ou melhor ainda, e se fizer novamente amanhã? Vem daí mal ao mundo? Alguém tem alguma coisa a ver com isso? Não estou a prejudicar ninguém. Pelo contrário, até fico mais bem disposta. Não, não podes. Controla-te. Não tens vergonha? Pareces uma criancinha. Que treta. Mas o que é que estou a tentar provar? E a quem? E lá cedo...

Todos os vícios são maus por natureza, por definição. Claro que há um ranking de vícios. A própria palavra vício é feia. Remete para algo obscuro, obsessivo e inconfessável. E mais uma vez lá resolvo, decido, escrevo, prometo que não vou tornar a ceder à tentação. Que por uns momentos de magia não vou fazer tábua rasa das minhas convicções.

Mas a carne é fraca... e o vício é tão doce. Quem é que inventou as malditas tabletes de chocolate?

Back to life

Pois é... tudo o que é bom acaba rápido. É engraçado que há alguns anos me impacientava imenso com as férias. Não conseguia estar sem nada para fazer. Era um desperdício. O dolce farniente incomodava-me. Sentia-me improdutiva e ansiava pelo regresso ao trabalho. Férias para mim só contavam se fosse fora de casa, em locais exóticos e fora da rotina. Como as coisas mudam... Estive cinco dias inteirinhos sem trabalhar, fiquei em casa ou andei pelas redondezas e soube-me muito bem. Aliás, até me soube a pouco. Nada de saudades do trabalho, nada de angústia pela inacção... Será da idade? Será sinal dos tempos? Ou apenas sintomático de mudança de objectivos de vida?

Sim, pois que eu na adolescência achava que ia mudar o mundo, que podia fazer a diferença, que seria uma nota de cor no meio do cinzentismo vigente. É difícil lidar com estas ilusões quando finalmente o véu se levanta e encaramos a realidade tal como ela é, sem as quimeras aguerridas da juventude. Até parece ridículo pensar que já fomos contra o sistema, que o quisemos mudar, que não concordavamos com as normas instituidas, que ousámos pensar out of the box. Que tolice! Assim que crescemos, aprendemos que somos apenas mais uma peça na grande engrenagem global. Se funcionarmos temos trabalho. Se mostrarmos fraqueza, seremos substituidos por uma peça em melhores condições. E anda que se faz tarde. Claro que isto é triste e redutor. Mas o pior de tudo é quando começamos a achar tudo isto normal....

quarta-feira, abril 12, 2006

Out of the office

"Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol."
Pablo Picasso

Amanheceu um dia bonito. O sol dá um ar da sua graça. A semana é mais curta. Amanhã e depois e nos seguintes três dias não se trabalha... São razões de sobra para estar bem disposta. Claro que está a custar a passar este último dia de trabalho. É incrível como quando é inconveniente o tempo se arrasta e estiiiiiica, estiiica e não avança. Os ponteiros do relógio parecem grudados, como se os tivessemos enchido de cola e estivessem a secar rapidamente.

terça-feira, abril 11, 2006

Mudar...

Estou farta. Farta. Farta. Farta. F.A.R.T.A. Farta. Fartíssima. Saturada. Completamente farta. Não há quem aguente. Estou tão farta que já nem tenho força para estar mais farta. É triste quando estamos tão fartos, que nem sequer temos energia para nos revoltarmos com tanta fartura. Caímos na apatia da saturação. Já não se suporta nada. Não há paciência que nos valha. Qualquer coisa nos faz perder as estribeiras e a compostura. Grita-se por tudo e por nada. Irrita-se. Pragueja-se. Vocifera-se. Satura-se. Até que chegamos a um ponto em que já nada nos interessa. Está tudo mal. Vemos e reconhecemos que está mal. Podia melhorar, mas isso implica um esforço que já não queremos ou podemos fazer. Who cares? Caímos na apatia. Borrifamo-nos no assunto. Deixamos andar. Não queremos sequer lembrar-nos disso. Para quê ter ideias ou iniciativa? Nada muda. Tudo permanece. Viramos o mundo do avesso e ele teimosamente retoma a posição inicial. Desmultiplicamos esforços e apenas conseguimos suster a marcha atrás. Estou farta! E estou farta de estar farta!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

terça-feira, abril 04, 2006

Uma palavra por dia...

circunlóquio do Lat. circumloquiu
s. m., rodeio de palavras; perífrase.

perífrase do Gr. periphrasis < perí + phrasein
s. f., emprego de muitas palavras para exprimir o que podia ser dito mais concisamente; circunlóquio.

solilóquio do Lat. soliloquiu
s. m., monólogo.

More

Drive. É mesmo disso que ando a precisar... É difícil acordar todos os dias, sabendo que se vai enfrentar uma hora de trânsito para fazer um trabalho que não só já não é motivador, como também não paga bem. O dinheiro não é tudo. Certo, mas nalguns casos pode ser um motivador eficiente (pelo menos durante uns tempos). Mas, o que fazer quando o nosso trabalho deixa de ser apaixonante e vibrante e se converte numa rotina maçadora e frustrante, com as mesmas pessoas, os mesmos erros, as mesmas estórias consecutivamente? A resposta óbvia: quem está mal, muda-se! Ora, querer é poder, mas nem sempre... Como trocar o seguro pelo inseguro, o certo pelo incerto, arriscar sem rede e manter a compostura? É duro, mas acho que está na altura. Estou farta de esperar que sejam horas de voltar para casa, para suportar mais uma hora de trânsito, comer, dormir e recomeçar o ciclo. There's gotta be more to life...

I've got it all, but I feel so deprived
I go up, I come down and I'm emptier inside
Tell me what is this thing that I feel like I'm missing
And why can't I let go

There's gotta be more to life...
Than chasing down every temporary high to satisfy me
Cause the more that I'm...
Tripping out thinking there must be more to life
Well it's life, but I'm sure... there's gotta be more
Than wanting more

I've got the time and I'm wasting it slowly
Here in this moment I'm half way out the door
Onto the next thing, I'm searching for something that's missing

Than waiting on something other than this
Why am I feelin' like there's something I missed.....