
Chove. Há dias assim. Pela janela oiço o som da chuva a bater e sinto as gotas grossas que se esborracham no vidro. Que vida triste... Caiem regaladas, viajam nas asas do vento e acabam destroçadas no chão, numa parede qualquer, nos olhos das casas, nos sonhos das gentes.
Chove. Há dias assim. Que apertam o coração. Que machucam. Que oprimem, entristecem e apoquentam. Há uma inquietação no ar. Paira o desassossego. Custa a respirar. As pessoas ficam mais lentas. Os sorrisos envergonham-se. Não há consolo que nos valha. Nem o calor dos lençois, nem uma bebida quente.
Chove. Há dias assim. A tristeza vem colada nas gotas e adere às paredes. A humidade invade as casas e os seres. Ressuma por todo o lado. Enregela e molha. O pessimismo faz a sua cama e o nevoeiro vem logo a seguir. Uma bruma espessa e paralisante. Labirinto sem saída.
Chove. Há dias assim. E custam a passar...
1 comentário:
NICE!!!
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