terça-feira, novembro 16, 2010
Vida paralela
Adoro ler. Sempre me lembro de ser assim. Não me parece que me tenham incutido o bichinho da leitura. Simplesmente é uma coisa que comecei a fazer e que me entusiasmou. A leitura tem-me acompanhado ao longo de toda a minha vida. Em criança devorei todos os livros da colecção 'Uma Aventura', os livros dos meus pais e os que me foram oferecendo. Rapidamente esgotei o filão e passei para literatura mais pesada. Devo ter devorado todos os livros que havia em casa dos meus pais e ainda eram bastantes. Nas férias atacava a biblioteca e lia os livros que requisitava e os livros que o meu irmão trazia. E, claro, fui sempre comprando livros e lendo livros emprestados. É quase como se tivesse uma vida paralela. Quando estou a ler, o meu mundo muda, adopto o contexto das personagens que me acompanham. É assim que já visitei várias épocas históricas, países e locais. É assim que a leitura condiciona o meu mood e até a sua própria velocidade. Fico por vezes a pensar nos enredos, deliberadamente escolho ignorar as implicações de outros. Por vezes, nem saboreio, devoro, tal é a ansiedade e a impaciência. Se estiver mesmo entusiasmada, torna-se viciante. Não saio de caso, não quero saber de mais nada. Embrenho-me no meu mundo e digo à realidade 'não posso, só quando acabar de ler o livro'. Estou rodeada de gente, mas estou sózinha com as linhas impressas. As pessoas passam, mas não fazem ideia do que estou a viver. E, raras, raras vezes, consigo discutir as minhas leituras com quem as partilha. E nem sei bem se gosto... A realidade alternativa não é igual para todos. Não saio de casa sem estar munida de um livro. Há dias em que não consigo ler, mas penso sempre no assunto. É um vício, uma forma de estar, uma companhia e uma loucura. O mundo seria muito mais triste sem os livros. Quem me dera conseguir escrever um...
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