Dentro de mim vive uma escritora frustrada, tão exigente consigo própria e com o que gostaria de fazer que, em última instância, prefere não escrever nada por medo de não corresponder às suas elevadas expectativas.
Dentro de mim vive a ideia de escrever, mas a desculpa é sempre sobre o quê, qual o assunto, qual a trama, o enredo, a história original. Escrever um texto curto é fácil, a piece of cake.
Dentro de mim vive uma romancista inexperiente mas que quer sair, que admira os escritores que escrevem com método e planeiam detalhadamente os capítulos, as personagens, os próximos passos, que só escrevem a 1ª linha quando já sabem exactamente qual será a última.
Dentro de mim também vive uma invejosa, que dava muito para começar a escrever, ser embalada pelas palavras, deixá-las crescer e amontoar-se ao seu próprio ritmo, abandonar-se, persistir, continuar a teclar e, subitamente, inexplicavelmente terminar a sua obra, deixando as personagens escolherem o seu caminho.
Dentro de mim vivem muitas Marias Papoilas. A Papoila mãe é a mais recente. Mas há ainda a Papoila profissional, que não podia andar mais desencantada, a Papoila viajante, em pausa devido à Papoila mãe, a Papoila leitora ávida, que, apesar do pouco tempo, insiste na sua paixão. A Papoila mulher que já se esqueceu de quem é... e a Papoila escritora que chegou à conclusão que vai deixar de ser envergonhada.
Dentro de mim vive uma alma inquieta, mas determinada. Agora que decidiu, escolheu, que uma forma de suportar a agrura de algumas das Papoilas, será a escrita, é só uma questão de dar o primeiro passo e praticar, praticar. Não é a prática que faz a perfeição? Então vamos a isto... Quem sabe um dia, sem dar por isso, saia ao correr da pena, algo que valha a pena ler!
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